O BOLSA FAMÍLIA DA FINLÂNDIA

Uma coisa que me tirou do sério nesse burburinho político foi ver no “facebroken” um pessoal que mora na Finlândia e recebe o “Bolsa Família” daqui de bom grado (até espera aquele valor todo mês, e se atrasar, corre no KELA para perguntar o porquê do atraso) criticando o Bolsa Família no Brasil. Faz-me rir! Eu sou super a favor de cada um poder ter a opinião que quiser, mas adoro ouvir o famoso “baseado em que você critica, aponta o dedo e enche a boca para falar sobre um assunto?”

Baseado em fatos? Ou na sua imaginação? Então senta que lá vem história:

Era uma vez, uma terra bem distante (The Endlândia) do Brasil, o ano era de 1920. Naquela época, os governantes achavam justo os filhos dos funcionários públicos receberem uma ajuda em dinheiro para auxiliar na educação (a escola era paga naquela época, etc.). O tempo passou e depois da Segunda Guerra, a Finlândia achou justo pagar um salário-família para todas as famílias pobres.

Depois, seguindo o modelo da Suécia e da Dinamarca, democraticamente o benefício estendeu-se para todas as famílias.

Ou seja, toda criança que faça parte do sistema social finlandês, seja ela de qualquer nacionalidade, cor ou credo, recebe 98,74 € mensalmente. DEMOCRACIA, é você?

Países de “primeiro mundo”, como Finlândia, Suécia, Dinamarca, Alemanha, França (e outros!) adotam o Bolsa Família há décadas.

Há exatos 10 anos, eu tive a felicidade de participar de um debate com a Tarja Halonen (ex-presidente da Finlândia).

Depois que o debate acabou, conversamos e comentei que eu era do Brasil e para minha surpresa, a mulher que governou a Finlândia por 12 anos seguidos – e só não continuou governando porque a lei não permite 3 mandatos consecutivos – me disse que o Brasil estava de parabéns por adotar o Bolsa Família.

Aí você me diz: “Ayla, minha pequena, pagar bolsa família para 5 milhões é moleza, vem pagar para 50 milhões!”

Resposta: ” Não é moleza nem para 5 nem para 50 milhões, mas é tudo baseado no PIB, e o Brasil é de longe muito mais rico que a Finlândia, sim, nós podemos pagar o Bolsa Família sem quebrar o país.”

Mas como diz o homem do noticiário:” Brasil, você está fazendo isso errado!” O ideal seria ter um imposto progressivo. Hoje, o maior imposto do país é o ICMS. O que você paga de imposto por um litro de leite é o que paga o empresário na área educacional Paulo L. (se ele pagasse imposto pessoal no Brasil). O segundo é o Imposto de Renda, cuja maior nível é de 27,5%, uma alíquota insuficiente para o padrão de distribuição da renda no Brasil. Na Finlândia, o imposto pode chegar á 50%. Então você não precisa necessariamente aumentar a carga tributária, mas você pode redistribuí-la. Paulo G. , você está lendo isso? Quer saber mais sobre impostos na Finlândia? Clique aqui: https://aylahuovi.com.br/como-sao-os-impostos-na-finlandia/

Para você que ODEIA o Bolsa Família, porque leu no “Facebroken” ou na “ÓIA” que é uma coisa feia e “para sustentar gente preguiçosa” seguem algumas informações que, de forma nenhuma, devem mudar a sua opinião sobre o assunto, você pode continuar ODIANDO o Bolsa Família, porém agora com um pouco mais de embasamento.

– O Bolsa Família é destinado a famílias de pobreza ou miséria extrema, o que é isso? Existem famílias no Brasil que vivem de “bicos” e se mantêm com muito menos do que uma calca da Zoomp, Cantão ou até da Renner. O benefício tem parâmetros e casos diferentes. Mais um exemplo: uma criança pode receber até 35 reais por mês! Detalhes sobre valores pagos aqui nesse link (vale a pena se informar): http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/beneficios

“São pequenas coisas que influenciam no nosso futuro”

(…) Vou comentar uma coisa: Com 35 reais, eu paguei um lanche para 2 amigas na padaria perto da casa da mamãe ano passado no Brasil. O Brasil tá caro, né, minha gente? (…)

Você acredita que as famílias simplesmente recebem o dinheiro e pronto?

Aqui na Finlândia é assim, nós recebemos e pronto. No Brasil, não.

Como a ideia é promover melhorias na sociedade por meio do Bolsa Família, existem algumas condições para receber ou continuar recebendo:

Na saúde

As famílias beneficiárias assumem o compromisso de acompanhar o cartão de vacinação, o crescimento e desenvolvimento das crianças menores de 7 anos. As mulheres na faixa de 14 a 44 anos também devem fazer o acompanhamento e, se gestantes ou nutrizes (lactantes), devem realizar o pré-natal e o acompanhamento da sua saúde e do bebê. (A intenção é diminuir a mortalidade infantil)

Na educação

Todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem estar devidamente matriculados e com frequência escolar mensal mínima de 85% da carga horária. Já os estudantes entre 16 e 17 anos devem ter frequência de, no mínimo, 75%. (Isso gera aumento da frequência escolar, mesmo a escola tendo uma estrutura ruim, com professores de qualidade duvidosa, em ALGUNS casos, mas isso é outro post).

Na área de assistência social

  Crianças e adolescentes com até 15 anos em risco ou retiradas do trabalho infantil pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) devem participar dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Peti e obter frequência mínima de 85% da carga horária mensal.

Para você que deixou de usar roupas da ZARA porque não quer contribuir com o trabalho escravo das crianças na Índia, o Bolsa Família ajuda a combater o trabalho escravo no Brasil.

Aqui tem um link completo para quem quiser continuar a leitura: http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/fiscalizacao

Os pontos negativos: O programa é bom, o que complica, são os dirigentes. Não foque o seu ódio em um programa que só veio para ajudar, foque seu ódio no brasileiro que vai dar um jeitinho para receber um benefício mesmo sem ter direito, no político que vai criar famílias fantasmas, ou na fiscalização malfeita.

Ou melhor, esqueça o ódio, a crítica política e partidária, o falar mal do governo e dos governantes. Foca na sua vida, no amor ao próximo, tenta dormir hoje pensando que alguma família boa e que realmente necessita desse dinheiro vai poder comprar um pedaço de pão ou tomar leite hoje. 

Outra coisa que tocou meu coração foi ouvir de uma conhecida (que se diz cristã!) que se uma família inteira é pobre é por todo mundo ser vagabundo, trabalho para quem quer tem. Meu Deus! Tenha piedade da alma dessa minha conhecida, que não sabe os caminhos que a vida às vezes toma.

Aliás, tenha piedade de todos nós, seres humanos, imperfeitos e cruéis. Somos cruéis, no fundo, nascemos bons e vamos ficando cruéis.

Salvo algumas almas boas (não me incluo no pacote das almas boas)

Pronto, agora você pode falar mal à vontade do Bolsa Família e de mim. Aproveita e passa o link do blog para alguém?


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