Conexão com alunos relutantes ao ensino remoto

A maioria dos educadores entende a importância de estabelecer relações de respeito com os alunos, mas muitas vezes é difícil colocar essa teoria em prática depois de quase 5 meses dando 100% de aulas “online”, começamos a nos perguntar: “Como fazemos com que eles apareçam, façam o trabalho — em essência, cumpram?”

Minha filha era uma daquelas crianças que, por ansiedade, começou a se recusar a participar da aprendizagem virtual. Alguns de seus professores podem ter imaginado que ela era uma daquelas crianças desobedientes e, claro, era o que parecia. Para ela, a questão não era essa, tratava-se de se sentir segura e compreendida. Ela já não sentia prazer em estudar, ou sequer entendia mais o motivo pelo qual estudava.

Às cinco etapas abaixo servem como uma estrutura de relacionamento a ser considerada pelos professores ao se prepararem para a possibilidade do aprendizado à distância durar mais tempo do que o esperado.

1. VAMOS NOS CONHECER MELHOR.

Uma conexão pessoal nos faz sentir que importamos. Construir relacionamentos em um nível humano é o primeiro e mais poderoso movimento que podemos fazer como educadores, então : escreva um e-mail, envie uma pesquisa que você responderá pessoalmente mais tarde ou simplesmente ligue para os alunos para dizer olá. Ajude-os a entender que você realmente gostaria de conhecê-los melhor, enfim, estabelecer um relacionamento e respeito mútuo. Conhecer nossos alunos como seres humanos dará aos professores uma melhor compreensão do que os motiva e talvez nos ajude a entender porque o aprendizado remoto pode ser difícil para eles.

No caso da minha filha tímida, ela gosta dos seus professores, mas sentia uma enorme ansiedade em torno do Google Meets de toda a classe e de todas aquelas pessoas que pareciam estar olhando para ela. Felizmente, sua professora da oitava série sabia o valor de deixar o trabalho de lado para priorizar a necessidade dos alunos de se sentirem seguros, vistos e compreendidos. A professora dela começou a fazer perguntas sobre o novo passatempo dela, compartilhou referências musicais e ver que sua professora estava realmente interessada em quem ela era e como estava indo fez com que ela tentasse, ainda que de forma pequena, participar do aprendizado virtual.

2. USAR O QUE VOCÊ JÁ SABE PARA MOTIVAR

Se os professores souberem quem são seus alunos, eles poderão encontrar textos que certamento os alunos irão ler e tarefas que lhes interessam, motivando-os assim a participar. O professor de música da minha filha fez isso com maestria. Depois de descobrir a atual obsessão pelos Beatles da nossa adolescente, ele deu a nossa filha a música” yesterday” para ser tocada na guitarra. E ela adorou, passava dias a ensair a música para ser apresentada pela camera.

Incorporar o aprendizado nas estruturas de algo com o qual ela se preocupava profundamente tornou-se uma maneira poderosa de envolvê-la e de aliviar sua cautela com a educação à distância.

Conexão Com Alunos Relutantes Ao Ensino Remoto
Conexão Com Alunos Relutantes Ao Ensino Remoto

3. PARCERIAS SÃO IMPORTANTES E MOTIVADORAS
Os professores sabem por natureza que as relações entre colegas são tão importantes quanto as relações professor-aluno. Então, como podemos usar esse conhecimento para ajudar os alunos a avançar para a próxima etapa em nossa estrutura de relacionamento? Mais uma vez, os professores devem confiar no que aprenderam sobre o aluno, mas desta vez para criar parcerias significativas.

Uma vez alguns alunos meus me falaram que eram fãs de futebol, então chamei um amigo meu que era jogador com uma certa fama no país, para dar uma aula comigo, meus alunos se sentiram valorizados e isso fez a diferença. A mesma técnica pode ser usada online

4. PEQUENOS GRUPOS PARA AUMENTAR O ENGAJAMENTO.

Pequenos grupos devem ser feitos para motivar os alunos a participarem. Por exemplo, fiz alguns dias divertidos em que as crianças se reuniam para jogar “online”.

Fiz também um clube do livro entre sub grupos, além de introduzir jogos de videogame educativos nas aulas.

5. OBSERVANDO E DEIXANDO OS ALUNOS LIDERAR.

É importante lembrar que uma conexão genuína deve ser vista como um processo contínuo. Na etapa final de nossa estrutura de construção de relacionamento, os educadores devem deixar espaço para muitos andaimes e prática. Eles devem encontrar maneiras de lembrar aos alunos que se preocupam com quem são e com o que precisam, o ano todo. Isso pode ser feito com check-ins periódicos.

Em seu livro Personal & Authentic, Future Ready Schools, o fundador Thomas C. Murray diz: “A melhor coisa que podemos dar às crianças neste ano escolar não é um novo currículo ou tecnologia. É um coração empático que vê e ouve o deles. ” 

Essa estrutura de relacionamento de cinco etapas visa atingir exatamente isso: educadores com coração empático vendo e ouvindo seus alunos — dedicando tempo para conhecê-los completa e completamente.

Espero ter ajudado um pouco os meus colegas brasileiros.

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